PM acusado de matar jovem que ia comprar bolachas no ABC com tiro na nuca vai a júri nesta terça

A Justiça marcou para as 10h desta terça-feira (26) o julgamento do policial militar acusado de balear e matar com um tiro na nuca um adolescente que ia ao mercado comprar bolachas em Santo André, no ABC Paulista

PM acusado de matar jovem que ia comprar bolachas no ABC com tiro na nuca vai a júri nesta terça

Justiça marcou para esta terça (26) júri popular do cabo Alécio José de Souza, acusado de matar Luan Gabriel Nogueira de Souza, de 14 anos. Estudante foi morto em 2017 em Santo André. Policial militar alegou que atirou para se defender de ladrões de moto.

O estudante Luan Gabriel Nogueira de Souza tinha 14 anos quando foi morto pelo cabo Alécio José de Souza em 5 de outubro de 2017. O agente da Polícia Militar (PM) alegou à época que estava com outro colega na corporação numa viatura à procura de ladrões de moto na região. E que atirou diversas vezes contra os criminosos para se defender deles, depois de terem sido recebidos a tiros.

SP tem a maior proporção de mortes de crianças e adolescentes cometidas por policiais no país; 44% foram mortos pela polícia em 2020, diz estudo Desde então, Alécio foi afastado dos patrulhamentos de rua e responde ao crime de homicídio em liberdade. O júri popular será conduzido pela juíza Milena Dias. Caberá à magistrada dar a sentença ao réu a partir da decisão dos jurados.

Eles poderão absolver ou condenar o acusado. O julgamento deveria ter ocorrido em 29 de março, mas a juíza o adiou porque um policial militar que é testemunha no caso e conhece o cabo Alécio trabalhava como segurança do mesmo fórum onde ocorreria o júri. Milena pediu então que o agente fosse transferido para outro local e remarcou o julgamento.

O receio da Justiça é que a presença dele no fórum pudesse intimidar outras testemunhas e jurados. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Alécio para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem. Jovem morto por tiro de PM é enterrado em Santo André O policial chegou a ser preso preventivamente, em agosto de 2018, por determinação da Justiça. Mas foi solto em outubro daquele mesmo ano após nova decisão judicial, dessa vez favorável a um pedido de liberdade feito por sua defesa.

Segundo a Polícia Civil, nunca ficou comprovado nas investigações que criminosos estavam roubando motos na região. De acordo com a perícia, Luan e os demais adolescentes que estavam com ele não estavam armados quando os PMs começaram a atirar. “O acusado confessou na delegacia e na Justiça que efetuou os disparos, mas diz que agiu em legítima defesa.

No entanto, os laudos técnicos do Instituto de Criminalística [IC], as testemunhas ouvidas na delegacia e na Vara do Júri e as investigações da Polícia Civil demonstraram que não houve nenhum confronto no local”, disse o advogado Ariel de Castro Alves, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais. “De fato, as provas e testemunhas atestaram que foi uma execução praticada por quem deveria proteger, e não matar”, disse Alves. Acusação Adolescente de 14 anos é baleado e morto em abordagem policial em SP De acordo com a acusação feita pelo Ministério Público (MP), o policial militar atirou a esmo contra um grupo de suspeitos de roubar motos na Travessa 7 da Rua Paraúna, no Parque João Ramalho. O outro PM não atirou.

No boletim de ocorrência do caso, os dois agentes da PM haviam alegado que foram recebidos a tiros por um ladrão de motos que empunhava um revólver calibre 38 e depois fugiu com a arma. No revide de Alécio, a bala feriu Luan, instantes antes de ele chegar ao mercado para comprar bolachas com o troco que tinha ganhado da mãe de um amigo. Testemunhas contaram ter visto o cabo se aproximar do corpo do adolescente e dar disparos em direção ao local onde estava anteriormente, na tentativa de forjar um tiroteio que não existiu.

Créditos G1