Linn da Quebrada estrela edição online de junho da Glamour Brasil

Linn da Quebrada estrela edição online de junho da Glamour Brasil
Foto: GLAMOUR

Glamour: Por que aceitar o convite para ir ao BBB?

Linn da Quebrada: “Senti que eu precisava ir para o Big Brother, mesmo com medo. O que me fez ir foi considerar a possibilidade de que, neste novo momento do Brasil, era possível que uma travesti chegasse à final e pudesse ganhar o maior reality show do país, criando um novo imaginário social de quem somos”.

Glamour: Na música “I Míssil”, você canta o trecho “É na força da farsa”. Em algum momento durante o programa, você percebeu que estava tentando ser algo que não é?

Linn da Quebrada: “Não em um sentido de uma personagem para jogar, mas percebi que nós somos situações. No Big brother, entrei como Linn da Quebrada, mas tinha a possibilidade situacional de me tornar Lina Pereira, em uma versão ainda desconhecida até então. Ali, tive a chance de entrar em contato comigo, mais frágil e vulnerável. Hoje, fico até com raiva de ter sido assim. Mas, ao mesmo tempo, olho com carinho e cuidado, porque um dos maiores prêmios de ter participado do jogo foi ter conquistado um olhar que humanizasse o meu corpo e, consequentemente, o corpo de tantas outras pessoas trans e travestis”.

Glamour: Durante o reality, os participantes erraram constantemente o seu pronome. Como você se recorda de passar por esses episódios?

Linn da Quebrada: “Sinto que me preparei para essa situação, porque isso acontece cotidianamente. O que se passava na minha cabeça naquele momento era salientar para a pessoa que ela estava errando o meu pronome, mas sem ficar insistindo muito nisso, porque seria um peso muito grande para eu carregar. Esperava que a gente estivesse em outro lugar agora, mas, quando eu saí da casa, e me deparei com tantos debates, vi que é preciso entender que a nossa presença ainda tem a necessidade de ser didática. Minha intenção na casa não era ficar explicando quem eu sou, eu só queria viver. Estar ali faz com que o Brasil reveja a forma como se enxerga e se trata um travesti”.

Glamour: Como é estar nesse novo lugar, como um ícone de representatividade?

Linn da Quebrada: “Isso tem sido uma questão. Convivi três meses na casa e sinto que agora pessoas me conhecem muito, mas eu não as conheço. É como se eu tivesse dado o meu bem mais precioso, que é a minha intimidade. Quando eu saio de casa, em carne viva, eu sinto que, agora, essas pessoas têm tudo de mim, que a minha intimidade se tornou pública. Eu preciso reconstruir em mim o que é privado”.

  A entrevista na íntegra estará disponível no site da Glamour: https://glamour.globo.com/